FUTUROS PERDIDOS

29/05/2020
música
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Curadoria:
Gonçalo F. Cardoso
Discrepant Records musicamaat

Futuros Perdidos

O futuro terminou há muito, ou assim parece. Somos reféns da crescente replicação de outras décadas passadas, estando irremediavelmente condenados a reescrever o passado para assim entendermos e darmos forma ao presente. O termo “hauntologia” foi empregue por escritores como Mark Fisher e Simon Reynolds para descrever uma estética musical que se preocupa com este desfasamento temporal e uma certa nostalgia dos “futuros perdidos”. A segunda noite com curadoria da Discrepant para o maat Mode 2020 apropria-se deste conceito para explorar as dimensões alternativas de um antigo futuro com base nas noções de desfasamento temporal, retrofuturismo, memória cultural e persistência do passado.

Ondness
A produção gravada de Ondness, um dos mais duradouros alter-egos de Bruno Silva (também conhecido como Serpente), estende-se por toda uma cartografia de etiquetas e sons, unindo na perfeição as peças soltas entre o legado da dance culture e os futuros minados. Peça central da cena eletrónica portuguesa, lançou em 2019, após alguns anos de relativa calma, o EP Not Really Now Not Any More pela Holuzam e Meio Que Sumiu pela Souk, uma sub-label da Discrepant dedicada aos chamados "global beats". Convergem para este universo especulativo movimentos de dança refractários, o sentido de espaço do dub, tangentes hauntológicas e possibilidades hipotéticas, numa colagem alucinatória construída em aberto.

Folclore Impressionista
Folclore Impressionista é um coletivo artístico sonoro e visual formado em 2016 por João Paulo Daniel (áudio), Sérgio Silva (áudio) e António Caramelo (vídeo). Os Folclore Impressionista são "hauntologistas" que acreditam na existência de espaços hauntológicos próprios, gerados por memórias culturais e geografias específicas. Depois da edição de Campos Espectrais I e II pela Nariz Entupido, dois trabalhos intimamente ligados às estratégias operativas da psicogeografia, os Folclore Impressionista começaram a trabalhar sobre os futuros perdidos que permanecem enquanto espectros das utopias do modernismo, apropriando-se de uma estética retrofuturista e mais próxima da library music, alicerçada no espectro do landscape televisivo. Em 2019 editaram Music for Television pela britânica Woodford Halse e Remember pela Russian Library. Têm previsto para 2020 o lançamento de um novo álbum pela Russian Library, A New Sensation: Music for Television, o qual servirá de base ao concerto a apresentar no maat.