AQUARIA — ​​​​​​​Ou a Ilusão de Um Mar Fechado

[explorations]
exposições
Curadoria:
Angela Rui

AQUARIA
Ou a Ilusão de Um Mar Fechado


Aquaria – Ou a Ilusão de Um Mar Fechado é uma exposição que reflete sobre possibilidades e novas questões que o repensar da nossa relação com o mundo marinho poderia pressupor. Os aquários são dispositivos que organizam e representam a vida marinha, sistemas complexos que, no paradigma da modernidade e da urbanização, personificam a transformação da natureza em cultura, graças ao apoio da tecnologia e do capital. Esta separação da cultura como uma entidade divorciada do mundo orgânico-natural deriva de tentativas científicas e racionais de categorização e organização. Porém, este tipo de construções que dividem a cultura da natureza já não é convincente no âmbito de um novo regime climático que apela a novas narrativas que vão para lá das hierarquias que giram em torno do homem e da sua exploração de recursos e corpos.
    
Com curadoria de Angela Rui, o percurso da exposição desenrola-se através de onze instalações que oferecem pontos de vista que servem para realçar de que modo foram as formas de compreensão do ambiente marinho outrora concebidas e devem hoje ser repensadas. 

Como parte da exposição, foi encomendado a Armin Linke um filme, realizado inteiramente nos bastidores do Oceanário de Lisboa, que examina a multidimensionalidade da arquitetura aquática, na qual as maravilhas da natureza são exibidas através de tecnologia escondida e bem orquestrada. 

A documentação histórica apresentada, desde meados do século XIX até aos nossos dias, entra em diálogo com as obras contemporâneas, contextualizando posições de base ocidental sobre políticas institucionais, exibição naturalista, ligações com as grandes Exposições Universais, expedições científicas e atividades coloniais e extrativas em relação a outras geografias.

Olhando para a natureza dos aquários e a relação distinta entre espaços e cenas técnicas, o design expositivo concebido pelo estúdio 2050+ trabalha sobre as noções de interface e limiar, mostrando duas categorias de dispositivos espaciais: um sistema industrial de exposições para acomodar o material de investigação e uma sequência fluida para orquestrar as instalações dos artistas. A instalação atua como um aquário expandido, onde as relações hierárquicas são neutralizadas.

O projeto gráfico e a identidade visual desenvolvidos pelo Studio òbelo visa perturbar o olhar do espectador, despertando uma consciência autorreflexiva das ambiguidades da perceção, tomando a figura do Cubo Necker (1832) como ponto de partida e conceptualizando o aquário numa série de cubos impossíveis. 

Com projetos de Revital Cohen & Tuur Van Balen, Julien Creuzet, Simon Denny, Marjolijn Dijckman & Toril Johannessen, Michela de Mattei, Alice dos Reis, Eva Jack, Joan Jonas, Armin Linke, Superflex e Stef Veldhuis


Exposição
Curadoria: Angela Rui
Apoio à investigação e arquivo: Martina Motta
Apoio na investigação local: Marta Jecu 
Design de exposição: 2050+ (Ippolito Pestellini Laparelli, Massimo Tenan, Guglielmo Campeggi)
Design gráfico: òbelo (Claude Marzotto, Maia Sambonet)

Com o apoio de:
ifa – Institut für Auslandsbeziehungen  
Istituto Italiano di Cultura di Lisbona  
Goethe-Institut Portugal 

Comissão especial de Armin Linke desenvolvida com o apoio científico de:
Oceanário de Lisboa / Fundação Oceano Azul 

Materiais de arquivo: 
Biblioteca del Museo di Storia Naturale e dell'Acquario - Milano, Biblioteca Sormani - Milano, Historical Diving Society Italia, Biblioteca Central de Marinha - Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, Arquivo da Marinha Portugal, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Aquário Vasco da Gama Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa