Refletindo acerca do momento histórico que serve de mote à exposição Margarida Correia – Mais Alto – a história individual e coletiva de um grupo de enfermeiras paraquedistas do exército português de serviço em África, nas décadas de 60 e 70 –, reúnem neste dia uma das enfermeiras paraquedistas deste grupo, Cristina Justino, a historiadora Irene Flunser Pimentel, que assina um ensaio no catálogo da exposição, e a investigadora Filipa Caetano, conduzidas pela artista Margarida Correia e o curador da exposição, João Pinharanda.
Nesta conversa sobre arte, história e memória, cruzam-se experiências e olhares de modo descontraído, dando lugar a um encontro de narrativas e gerações, através da partilha de conhecimento diverso.
Na troca de ideias, caberá ainda uma curta visita à exposição, num momento que procura assinalar também o Dia Internacional dos Museus (18 de maio) e o Dia da Enfermagem (13 de maio).
Informação útil
Data: 16 de maio
Horário: 17.00–18.30
Duração: 90 min.
Local: Sala de Projeções, MAAT Central
Público-alvo: estudantes e profissionais de artes visuais, história, sociologia, antropologia, arquivo, fotografia, e outras áreas de conhecimento; pessoas curiosas e interessadas pelo tema.
Capacidade: máx. 50 pessoas
Idioma: Português
Preço: Bilhete de entrada no museu (aplicam-se todos os descontos em vigor) | Gratuito para MAAT Friends
- O acesso está sujeito à lotação dos espaços, sendo necessário levantar uma pulseira antecipadamente na bilheteira do museu (MAAT Central).
- As pulseiras podem ser levantadas a partir de 1h30 antes do evento.
- Os MAAT Friends têm entrada gratuita no museu, mas também necessitam de levantar uma pulseira.
Irene Flunser Pimentel é licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestre em História Contemporânea (século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC, da Universidade Nova de Lisboa). Elaborou diversos estudos sobre o Estado Novo, sobre o período da II Guerra Mundial, mas também sobre a situação das mulheres e a polícia política durante a ditadura de António de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano. É autora e coautora de diversos artigos em revistas de referência e de mais de uma vintena de livros, entre eles Do 25 de Abril ao 25 de Novembro. Episódios menos conhecidos (Temas & Debates, 2024), O Essencial sobre A PIDE (Imprensa Nacional. 2024), Informadores da PIDE. Uma Tragédia Portuguesa (Círculo de Leitores/Temas & Debates, 2022), Holocausto (Círculo de Leitores/Temas & Debates, 2020).
Maria Cristina Rodrigues Justino da Silva nasceu a 10 de Junho de 1944, na localidade de Sobrena (Cadaval).
Aos 18 anos ingressou no Colégio de São Vicente de Paulo em Lisboa onde concluiu o Curso de Auxiliar de Enfermagem. Iniciou a carreira no Hospital de Santa Maria, no serviço de patologia médica e patologia cirúrgica.
Em 1944, ingressou nas tropas paraquedistas, onde fiz o curso e promovida a Furriel Enfermeira Paraquedista.
Durante 10 anos, prestou serviço no Hospital Militar da Terra Chã (Ilha Terceira, Açores), Angola, Moçambique, Guiné, no socorro aos feridos de guerra em zonas de combate, assim como o acompanhamento nas evacuações para Lisboa.
Em princípios de 1973, e em véspera de passar à disponibilidade, entre Nangololo e Mueda (Norte de Moçambique) na sua última evacuação foi atingida com uma bala na cabeça.
Terminada a missão militar, continuou na Enfermagem no Hospital Particular de Lisboa, chefiando nos últimos anos o serviço de S.O.
Reformou-se em fins de 2008 com a consciência de dever cumprido.
Filipa Caetano (Ciência ID FA10-7968-C9D4) é Investigadora Integrada na I&D História, Territórios e Comunidades (HTC – NOVA FCSH / CEF – UC). É atualmente Bolseira de Investigação no âmbito do projeto «Toy Story: Connecting Portugal’s Industrial Past Through Tinplate Toy Heritage» (NOVA FCT, HTC – NOVA FCSH / CFE – UC). A sua dissertação de mestrado, intitulada «A mobilização feminina durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974): o fenómeno das enfermeiras paraquedistas», centra-se na análise do aparecimento, organização e participação deste corpo militar feminino durante o conflito, tendo em conta os efeitos dessa participação a nível pessoal, social e de género. Marcada por um percurso de investigação muito eclético e dinâmico, tem como áreas de interesse a história das mulheres, a Guerra Colonial, os impactos da guerra sobre o corpo do combatente e a história oral.