Pedro Cabrita Reis é um dos mais internacionalizados artistas portugueses, com numerosas presenças nos museus europeus. Revelado na década de 1980, a sua obra rapidamente se expandiu do campo da pintura (indiferentemente abstrata ou figurativa) para o da escultura e da instalação, tendo sempre em conta os espaços arquitetónicos ou urbanos em que se insere.
O seu processo criativo é omnívoro na vontade de recuperação/integração dos sinais da vida urbana ou rural, oriundos da "alta" ou da "baixa" cultura. A partir de destroços, fragmentos rejeitados, objetos banais e anónimos associados de modo inesperado e eficaz, o seu objetivo é magnificar, através de grandes gestos de imposição discursiva, sinais do que poderia ser visto como uma queda civilizacional.
Usando e beneficiando de todos os recursos garantidos pela sucessão de revoluções da modernidade, Cabrita Reis insiste na continuidade e eficácia da grande arte pré-moderna, num arco que o leva do renascimento ao romantismo, do interesse pela grande escultura e pintura áulicas (cujos mestres frequentemente cita) ao fascínio pelo pequeno colecionismo das Wunderkammer ou Cabinets de Curiosités.
Na Galeria Oval do MAAT Gallery, Cabrita Reis apresentará uma enorme instalação de pintura e, no percurso descendente para esse espaço totalizador e envolvente, mostrará um vasto e variado conjunto de peças de pequeno porte, suites de desenhos, esculturas, assemblages e séries de outras pinturas, florais, paisagísticas, figurativas.
Biografia do artista
Pedro Cabrita Reis nasceu em 1956 em Lisboa, cidade onde vive e trabalha. O seu trabalho tem vindo a ser reconhecido internacionalmente, tornando-se crucial e decisivo para o entendimento da escultura a partir de meados da década de 1980. A sua complexa obra caracteriza-se por um discurso filosófico e poético idiossincrático, abrangendo uma grande variedade de meios: pintura, escultura, fotografia, desenho e instalações compostas por materiais industriais, achados e objetos manufaturados. Ao utilizar materiais simples submetidos a processos construtivos, Cabrita recicla reminiscências quase anónimas de gestos e ações primordiais repetidos no quotidiano.
O artista participou em exposições internacionais, como a Documenta IX e XIV em Kassel em 1992 e 2017, a 21.ª e 24.ª Bienais de São Paulo, respetivamente em 1994 e 1998, no Aperto da Bienal de Veneza em 1997. Em 2003, representou Portugal na Bienal de Veneza; em 2013 apresentou A Remote Whisper na 55.ª Bienal de Veneza e participou na exposição The Spectacle of the Everyday", Bienal de Lyon, 2009. Em 2022, Cabrita apresentou em Paris, no Jardin des Tuileries, Les Trois Grâces", encomendado pelo Musée du Louvre, e, por ocasião da 59.ª Bienal de Veneza, apresentou Campo na Chiesa di San Fantin.