A exposição Energias da IA apresentará uma série de obras muito recentes, muitas das quais serão exibidas pela primeira vez, de artistas contemporâneos que abordam as «energias da IA» a partir de uma dupla perspetiva: por um lado, as energias que alimentam as tecnologias de IA (eletricidade, água, minerais críticos, computação, trabalho humano, capital); por outro lado, as energias que a IA liberta em todas as culturas, sociedades e ambientes, em termos de análise e geração de dados, previsão, vigilância, influência, captura de atenção, emoção e controlo mental.
O MAAT, pela sua relação com a antiga Central Tejo, a central termoelétrica que forneceu energia a toda a cidade e região de Lisboa, é o local perfeito para apresentar uma exposição centrada numa abordagem «energética» da IA, tanto na sua forma atual, como nos seus possíveis desenvolvimentos futuros. Muitas das obras expostas estarão voltadas para o futuro, ajudando-nos a imaginar para onde se encaminha a IA – com as suas profundas implicações sociais, políticas e ambientais.
Entre os artistas confirmados estarão Hito Steyerl, com a instalação Mechanical Kurds (2025), que aborda o fenómeno do microtrabalho colaborativo utilizado para treinar modelos de IA; Kate Crawford & Vladan Joler, com um novo projeto sobre a dimensão «metabólica» das tecnologias de IA intitulado Metabolic Machines (2026), produzido especificamente para esta exposição; Trevor Paglen, com um novo projeto sobre as tecnologias de IA como uma nova forma de controlo mental intitulado Hypnosis (2026); Grégory Chatonsky, com um novo projeto sobre as interligações entre a aprendizagem das máquinas e dos seres humanos intitulado Depletion (2026); Fabien Giraud, com a primeira iteração (Epoch 1) de The Feral (2035-3035), um projeto destinado a abranger mil anos e centrado nas interações entre uma IA, uma comunidade humana e um meio natural. Outras obras de artistas portugueses e internacionais estão atualmente a ser selecionadas.
Biografia do curador
Antonio Somaini é professor de Teoria do Cinema, Mídia e Cultura Visual na Université Sorbonne Nouvelle, em Paris, e professor visitante na Universidade de Harvard. A sua investigação aborda o impacto das tecnologias de IA nas imagens, na cultura visual e nas práticas artísticas contemporâneas. Foi o curador-chefe da exposição Le monde selon l’IA / O Mundo Através da IA, apresentada no museu Jeu de Paume, em Paris (21 de abril a 21 de setembro de 2025), e agora em itinerância na Schirn Kunsthalle, em Frankfurt, e em dois museus no Brasil (Campinas e São Paulo). Entre as suas publicações recentes, destacam-se o livro Culture visuelle. Images, regards, médias, dispositifs (com Andrea Pinotti, Les Presses du Réel, Dijon, 2022) e o texto A Theory of Latent Spaces no catálogo que coeditou para a exposição do Jeu de Paume (The World Through AI: Exploring Latent Spaces, JBE Books / Jeu de Paume, Paris, 2025).