Ao longo das últimas quatro décadas, a prática artística de Christian Marclay (1955, EUA) tem sido marcada pela sua exploração da interseção entre as artes visuais, a cultura popular e a expressão sonora contemporânea, particularmente no domínio da música experimental. A sua obra abrange performance, colagem, escultura, instalação, fotografia e vídeo, dissolvendo de forma consistente as fronteiras entre disciplinas.
A exposição no MAAT toma como eixo conceptual um conjunto de trabalhos que abordam temas da cultura urbana — obras nas quais a cidade, a rua e o quotidiano se transformam em espaços carregados de sinais visuais e sonoros. Ritmos, coincidências, acontecimentos banais, espontaneidade formal e a proliferação do subalterno emergem como fios condutores recorrentes, moldando um imaginário expansivo que revela a forma distinta de Marclay de confrontar e de reconfigurar hierarquias artísticas, frequentemente justapondo elementos da alta e da baixa cultura.
Apresentada no MAAT Gallery, a exposição ocupa 1.500 m² e reúne cerca de 15 obras, incluindo instalações de vídeo, séries fotográficas, colagens e publicações criadas entre 1978 e 2026. Duas das obras serão apresentadas ao público pela primeira vez. Um programa de performances acompanhará a exposição.
Biografia do artista
Christian Marclay nasceu na Califórnia, em 1955, cresceu na Suíça e vive e trabalha em Londres. Teve recentes exposições individuais no Brooklyn Museum e no ICA Boston (ambas em 2025); no Centre Pompidou, Paris (2022); e no MOT Museum of Contemporary Art, Tóquio (2021). Apresentações anteriores incluem Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Espanha (2019); uma dupla exposição na Staatsgalerie e no Kunstmuseum Stuttgart, Alemanha (2015); Palais de Tokyo, Paris (2012); Whitney Museum of American Art, Nova Iorque (2010); MoMA PS1, Nova Iorque (2009); Cité de la Musique, Paris (2007); Moderna Museet, Estocolmo (2006); Barbican Art Gallery, Londres (2005); e Tate Modern, Londres (2004), entre muitas outras. Em 2011, recebeu o Leão de Ouro na 54.ª Bienal de Veneza pela obra The Clock, amplamente reconhecida como uma obra de referência do século XXI.